Orla Prime Litoral Catarinense
Análises

O canal de Itajaí perdeu profundidade, ficou sem monitoramento e ainda espera o leilão

A Marinha ampliou a folga exigida abaixo da quilha dos navios em 11 de agosto. A draga chegou no dia 14 e foi embora no dia 19 sem dragar. Em 24 de agosto veio a informação de que o canal está sem sistema de monitoramento há mais de um ano. E o leilão que deveria encerrar esse ciclo continua sem edital.

27 de agosto de 2026 11 min de leitura
Draga de sucção operando na foz de um rio de água barrenta sob céu nublado, com guindastes de terminal de contêineres ao fundo

Imagem ilustrativa gerada por IA

No dia 14 de agosto, a draga de sucção Utrecht chegou a Itajaí para recuperar a profundidade do canal de acesso. Ficaria até dez dias.

No dia 19, foi embora para Santos sem ter feito a dragagem.

A explicação da Van Oord, empresa responsável pelo serviço, não é evasiva, e é justamente por isso que ela interessa: a decisão foi técnica. O volume de chuva desde o dia 14 e o aumento da vazão intensificaram o transporte de sedimentos para dentro do canal, e dragar naquele momento não teria efeito. A previsão era retomar em cerca de sete dias, quando a vazão baixasse e o material em suspensão assentasse. Uma draga menor seguiu operando.

É uma frase pequena com uma implicação grande. O acesso a um dos maiores polos portuários de Santa Catarina é a foz de um rio, e o rio devolve areia mais rápido do que o arranjo institucional consegue tirar.

O que a Marinha determinou em 11 de agosto

Três dias antes de a draga chegar, a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí já havia apertado a régua.

A delegacia determinou uma nova Folga Abaixo da Quilha (FAQ) de 50 centímetros, somada aos 30 centímetros que já valiam desde julho, por medida da própria Superintendência do Porto de Itajaí. Total: 80 centímetros de margem adicional exigida entre o casco do navio e o fundo do canal.

O motivo está escrito. Levantamentos batimétricos, somados a um ofício da praticagem de 7 de agosto sobre as condições de navegação, apontaram 12,2 metros de profundidade em parte da bacia de evolução nº 1, o trecho entre os berços do Porto de Itajaí e da Portonave, onde a profundidade estabelecida era de 13,6 metros.

Agosto de 2026 no canal de Itajaí-Navegantes
7/08Praticagem envia ofício à Marinha sobre as condições de navegação
11/08Capitania determina mais 50 cm de folga abaixo da quilha, chegando a 80 cm
14/08Draga Utrecht chega para reforçar a dragagem
19/08Utrecht deixa Itajaí rumo a Santos, sem dragar
24/08Vem a público que o canal está sem sistema de monitoramento há mais de um ano
27/08Edital do leilão do canal segue sem publicação

O documento é assinado pelo capitão de fragata Daniel Reis, delegado da Capitania dos Portos em Itajaí, e foi enviado à Superintendência do Porto com cópia para a autoridade portuária, a praticagem e a Portonave. A medida tem caráter preventivo e temporário, e vale enquanto perdurarem as condições batimétricas que a motivaram.

Vale traduzir o que 80 centímetros significam na prática. Folga abaixo da quilha é margem de segurança. Quanto maior ela é, menor o calado que o navio pode ter para entrar, ou seja, menos carga ele pode trazer. E, como o calado disponível depende da maré, uma folga maior empurra as manobras para as janelas de maré alta, o que reduz o número de horários possíveis de entrada e saída.

⚠️ Aqui há duas leituras, e as duas estão publicadas. Os armadores e as entidades do setor estimam que a ampliação da folga pode significar até 30% de redução na movimentação do canal. O Porto de Itajaí sustenta que a FAQ adicional não cria restrição operacional, porque seria compensada pelo ganho de calado na maré alta, que varia entre 70 e 90 centímetros. Os 30% são estimativa de parte interessada, não medição. E a compensação pela maré é real, mas depende de esperar a maré, o que é um custo de tempo mesmo quando não vira perda de carga. Nenhum dos dois lados está mentindo. Eles estão medindo coisas diferentes.

O detalhe de 24 de agosto

Três dias atrás apareceu a informação que amarra o resto.

O complexo portuário está sem sistema de monitoramento dos parâmetros de navegação do acesso aquaviário há mais de um ano. A Codeba, autoridade portuária, corre agora com uma contratação emergencial do serviço, depois de pedido de urgência da Superintendência do Porto de Itajaí.

Monitoramento contínuo é o instrumento que diz, em tempo quase real, quanta profundidade existe e onde. Sem ele, a informação sobre o canal depende de campanhas batimétricas pontuais e do relato de quem está a bordo. Foi exatamente assim que a perda de profundidade de agosto apareceu: por ofício da praticagem.

Registre-se o encaixe. A implantação de um sistema de monitoramento de tráfego de embarcações, o VTS, está dentro do escopo da concessão que ainda não foi a leilão. O canal está contratando de emergência, hoje, uma função que o projeto de longo prazo pretende resolver de forma permanente daqui a alguns anos.

Vinte meses, três administrações, três arranjos de dragagem

Esta é a parte que explica por que o assunto virou projeto de concessão, e não apenas mais um contrato de manutenção.

Quem administrou o canalQuando
Município de Itajaí, por convênio de delegação vigente desde 1997até 02/01/2025
Autoridade Portuária de Santos, após a federalizaçãodurante 2025
Codeba, Companhia Docas do Estado da Bahiadesde 01/01/2026

E, no mesmo período, a dragagem de manutenção passou por três arranjos. O contrato anterior encerrou em 13 de fevereiro de 2026 e o emergencial vigente venceu dois dias depois. Em março veio uma dispensa emergencial. O contrato atual, entre a Codeba e a Van Oord, foi assinado em 31 de março, por R$ 63,8 milhões, com vigência inicial de doze meses e prorrogação possível até 48. A ordem de serviço saiu em 1º de abril e a dragagem foi retomada em 4 de abril.

Entre uma coisa e outra, o canal ficou cerca de cinquenta dias sem dragagem, em plena estação de chuva. Em maio, a Marinha confirmou 13,1 metros no canal interno e 14,1 metros no externo, registrando que o acúmulo de sedimentos evidenciava assoreamento. Segundo o DIARINHO, a ANTAQ chegou a notificar o Porto de Itajaí por canal fora da profundidade contratual.

Não é sabotagem nem desleixo de ninguém em particular. É o que acontece quando a manutenção de um ativo contínuo é feita por contratos descontínuos. E é literalmente o argumento central de quem defende a concessão.

O leilão que deveria encerrar o ciclo

Aqui vale aplicar o método que usamos para ler anúncio, contrato e obra. A concessão do canal de Itajaí está no degrau anterior ao contrato. Não há concessionária, não há contrato e não há obra. Há um projeto aprovado com ressalvas e um edital em análise jurídica.

Concessão do canal de acesso aquaviário de Itajaí
Processo na ANTAQ50300.020893/2021-36
Prazo25 anos, prorrogáveis até o limite de 70
Investimento (CAPEX na ficha da ANTAQ)R$ 311,0 milhões, data-base out/2024
Investimento comunicado pelo MinistérioR$ 350 milhões ao longo dos 25 anos
Escopodragagem, derrocamento, sinalização náutica, VTS, remoção de interferências
Autoridade portuáriacontinua pública
Liberação do TCU19/05/2026, processo TC 017.505/2025-9, relator Walton Alencar Rodrigues
Projeto definitivo enviado à ANTAQ12/06/2026
Editalnão publicado até o fechamento desta edição
Leilãosem data

A liberação do TCU veio com ressalvas. O tribunal determinou ajustes na modelagem e exigiu que mudanças estruturais no objeto, na matriz de riscos ou na estrutura tarifária voltem ao tribunal antes da publicação do edital. Nas palavras do relator, as fragilidades identificadas, “conquanto relevantes, não configuram irregularidades que desaconselhem o prosseguimento” da outorga.

Depois disso, houve um episódio institucional pouco noticiado fora da imprensa especializada. A própria Superintendência do Porto de Itajaí pediu a suspensão do processo. A ANTAQ negou o pedido em nota técnica divulgada em 27 de julho, apontando falta de legitimidade jurídica da superintendência para apresentá-lo, embora reconhecendo sua legitimidade técnica. Em 31 de julho, o superintendente Artur Antunes Pereira reuniu-se com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, para propor mudanças no modelo.

O setor reagiu do outro lado. Em 8 de agosto, a FIESC enviou ofício ao ministro defendendo que a concessão do canal seja mantida separada da operação do terminal, para que, nas palavras da entidade, a manutenção dos parâmetros mínimos de navegação não fique refém de eventuais gargalos contratuais. Em 10 de agosto, cinco entidades nacionais do setor portuário, ATP, ABRATEC, ABTP, Centronave e FENOP, assinaram nota conjunta cobrando medidas imediatas para restabelecer a plena capacidade operacional do complexo e pedindo, expressamente, a continuidade do processo de concessão.

⚠️ Três correções que a cobertura costuma escorregar. Primeiro: não é um leilão inédito. O primeiro leilão de canal de acesso portuário do país foi o de Paranaguá, em 22 de outubro de 2025, vencido pelo Consórcio Canal Galheta Dragagem, com desconto de 12,63% sobre a tarifa de referência e R$ 276 milhões de outorga. Itajaí seria o segundo, e Paranaguá é o modelo. Segundo: os navios de 400 metros são horizonte de segunda fase. O detalhamento enviado à ANTAQ prevê, entre o primeiro e o terceiro ano, viabilizar navios da classe New Panamax de até 366 metros; o calado de 16 metros e as embarcações maiores aparecem a partir do quarto ano de um contrato que ainda não existe. Hoje o complexo está homologado para até 350 metros. Terceiro: os 12,2 metros não são “a profundidade do canal”. São a menor medição em um trecho específico da bacia de evolução nº 1.

Há ainda um obstáculo com data de nascimento. O escopo da concessão inclui remover os destroços do Pallas, navio construído na Inglaterra em 1891 que afundou na barra do rio Itajaí-Açu em 25 de outubro de 1893. Os restos estão entre as boias 9 e 11, perto da bacia de evolução nº 2, e impedem o aprofundamento naquele trecho. Em 25 de maio de 2026 a superintendência do porto assinou convênio com a Univali para estudos de viabilidade da remoção. São 133 anos de um naufrágio ainda pendente na conta de uma concessão de 2026.

Três processos que não são a mesma coisa

Esta é a confusão mais comum quando o assunto aparece em conversa de mercado.

ProcessoO que éStatus
Concessão do canal de acessoa via navegável: dragagem, sinalização, VTS, remoção de obstáculosedital em análise, sem data de leilão
Arrendamento do terminal público (ITJ01)a operação em terra do porto organizado de Itajaíleilão esperado para 2027; opera hoje a JBS Terminals, em contrato transitório desde out/2024
Terminais privadosPortonave, em Navegantes, e Teporti, em Itajaínão estão em leilão algum, mas usam o mesmo canal

O canal é a estrada. O porto público e os terminais privados são o que está na beira dela. Por isso a discussão do canal mobiliza inclusive quem não tem nada a ver com o porto público: a Portonave, terminal privado em Navegantes, é o maior movimentador do complexo e depende exatamente da mesma água.

Onde isso encosta no mercado imobiliário

Com honestidade sobre o tamanho do encaixe, porque ele é real e é indireto.

Itajaí e Navegantes formam a perna de economia real do litoral norte, aquela que não depende de veraneio. Em 2025, o porto público de Itajaí movimentou 4,7 milhões de toneladas e 386,4 mil TEUs, e a Portonave, em Navegantes, movimentou 10,8 milhões de toneladas e 1,1 milhão de TEUs. Santa Catarina ultrapassou pela primeira vez a marca de 3 milhões de TEUs, o equivalente a 20,5% da movimentação de contêineres do país, atrás apenas de São Paulo.

No nosso Índice Orla Prime de agosto de 2026, que mede preço pedido em empreendimentos ainda não entregues, as duas cidades aparecem assim:

CidadeEmpreendimentosUnidadesDisponíveisPreço pedido medianoTíquete mediano
Itajaí1348.8942.853R$ 15.213/m²R$ 955,8 mil (71 m²)
Navegantes952.924811R$ 10.397/m²R$ 720,1 mil (71 m²)

Juntas, as duas somam 11.818 unidades em obra ou lançamento, algo em torno de 20% de todo o pipeline não entregue da região. É um volume que não se explica por turismo.

E aqui vem a leitura que contraria o slogan fácil. Navegantes tem o metro quadrado mais barato de todo o nosso índice, R$ 10.397, e é justamente onde fica o maior terminal de contêineres do complexo. Ou seja: porto não encarece metro quadrado por proximidade. O que o porto faz é sustentar emprego, renda e demanda por moradia o ano inteiro, o que é uma coisa diferente, mais lenta e, para quem compra pensando em uso e em locação de longo prazo, mais previsível do que sazonalidade de praia.

⚠️ O que este texto não afirma. Não existe, aqui, nenhuma projeção de valorização ligada à concessão do canal. Não há contrato, não há concessionária e não há obra, então qualquer percentual atribuído a esse projeto seria invenção. O que existe é uma condição operacional pior no curto prazo e um projeto com aprovação e sem edital no médio. Também não usamos aqui os números de crescimento de 2026 do porto público, divulgados como alta de quase 40%: eles se referem ao primeiro quadrimestre, apenas ao porto público e não ao complexo, e partem de uma base deprimida pela troca de gestão.

O que monitorar

Quatro coisas concretas, todas verificáveis sem depender de release:

  • A publicação do edital pela ANTAQ. A previsão declarada era agosto, no mais tardar setembro. O cronograma já escorregou uma vez neste ano.
  • A retomada da campanha de dragagem pela Utrecht, estimada em cerca de sete dias a partir de 19 de agosto, condicionada à queda da vazão do rio.
  • A nova batimetria após a dragagem, que é o que pode derrubar a folga adicional de 80 centímetros.
  • A contratação emergencial do monitoramento pela Codeba, e se ela sai antes do edital do leilão.

A leitura da Orla Prime

Passamos meses cobrindo o litoral norte pelo que ele constrói para cima: torres, outorga, alargamento de praia, avenidas. Esta matéria é sobre a infraestrutura que ninguém fotografa, porque ela fica debaixo d’água e não tem placa de obra.

A tese que fica é simples e serve para muito além do porto. Ativo que precisa de manutenção contínua não sobrevive bem a contrato descontínuo. O canal de Itajaí passou por três administrações em vinte meses, ficou cinquenta dias sem dragagem, está há mais de um ano sem monitoramento, e perdeu profundidade justamente no trecho entre os dois berços que mais movimentam carga. Nada disso é um escândalo. É o custo silencioso da descontinuidade, e ele aparece na forma mais chata possível: cinquenta centímetros a mais de folga exigida, e navios esperando a maré.

A concessão é a tentativa de resolver isso trocando contrato curto por contrato longo. Pode dar certo. Mas hoje ela está no degrau do anúncio aprovado, não no da obra, e quem lê o litoral pelo que está publicado precisa saber a diferença.

Para quem avalia um imóvel em Itajaí ou Navegantes, a informação útil não é a promessa dos navios de 400 metros. É saber que a base econômica dessas duas cidades depende de uma via navegável cujo arranjo de gestão está sendo redesenhado agora, em público, com prazos que ainda escorregam. Isso não é motivo para recuar. É motivo para acompanhar o processo em vez do folheto, exatamente como fizemos ao olhar a retomada do porto e o litoral movido a porto no extremo norte.

Os números do nosso levantamento estão abertos, cidade por cidade, com a metodologia inteira e a amostra de cada linha, em Índice Orla Prime. Pode conferir, pode citar e pode discordar.


Bússola Orla Prime. Se você está avaliando um imóvel em Itajaí ou Navegantes e quer entender o que sustenta a demanda daquela região específica, a gente levanta o que está publicado e manda a leitura, inclusive quando ela for desanimadora. É de graça e não exige que você seja cliente.

Fontes: ANTAQ, ficha do projeto de Concessão do Acesso do Porto de Itajaí, processo 50300.020893/2021-36, página atualizada em 05/05/2026; Tribunal de Contas da União, processo TC 017.505/2025-9, sessão plenária de 19/05/2026, relator ministro Walton Alencar Rodrigues, conforme noticiado por Poder360 e CNN Brasil em 19/05/2026; Agência iNFRA, 12/06/2026 (envio do projeto definitivo à ANTAQ e faseamento das obras) e 05/05/2026 (batimetria confirmada pela Marinha); CNN Brasil, 03/08/2026 (reunião do superintendente com o ministro) e 11/08/2026 (previsão de edital declarada pelo diretor-geral da ANTAQ); DIARINHO, 12/08/2026 (ampliação da folga abaixo da quilha, Ofício da Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí), 19/08/2026 (saída da draga Utrecht) e 24/08/2026 (contratação emergencial do sistema de monitoramento); Tecnologística, 12/08/2026 (nota conjunta de ATP, ABRATEC, ABTP, Centronave e FENOP, de 10/08/2026); FIESC, 08/08/2026 (ofício ao Ministério de Portos e Aeroportos); Gazeta do Povo, 12/01/2026 (movimentação dos portos de Santa Catarina em 2025); Índice FipeZAP de Venda Residencial, informe de julho de 2026; Índice Orla Prime, edição de agosto de 2026, apurada em 24/08/2026.

Perguntas frequentes

O que é folga abaixo da quilha e por que ela aumentou em Itajaí?

É a margem de segurança exigida entre o fundo do casco do navio e o fundo do canal. Em 11 de agosto de 2026 a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí determinou 50 centímetros adicionais, somados aos 30 que já valiam desde julho, chegando a 80 centímetros. A decisão veio depois de levantamentos batimétricos encontrarem 12,2 metros em parte da bacia de evolução nº 1, trecho entre os berços do Porto de Itajaí e da Portonave, onde a profundidade estabelecida era de 13,6 metros. A medida é preventiva e temporária, e vale enquanto persistirem as condições que a motivaram.

O canal de acesso de Itajaí já foi leiloado?

Não. O Tribunal de Contas da União liberou o projeto em 19 de maio de 2026, com ressalvas, e o Ministério de Portos e Aeroportos enviou o projeto definitivo à ANTAQ em 12 de junho. Até o fechamento desta edição não havia edital publicado nem data de leilão marcada. Em 11 de agosto o diretor-geral da ANTAQ, Frederico Dias, disse esperar a publicação ainda em agosto ou, no mais tardar, em setembro. O cronograma já escorregou uma vez: em maio, a previsão passou do primeiro trimestre para o segundo semestre de 2026.

Qual a diferença entre a concessão do canal e o leilão do porto público de Itajaí?

São processos diferentes. A concessão do canal trata da via navegável: dragagem, derrocamento, sinalização náutica, monitoramento de tráfego e remoção de obstáculos, com contrato de 25 anos prorrogáveis até o limite de 70. O arrendamento do terminal de contêineres do porto público, o ITJ01, trata da operação em terra, tem investimento previsto na casa dos R$ 2,8 bilhões e leilão esperado apenas para 2027. O terminal opera hoje pela JBS Terminals, sob contrato transitório desde outubro de 2024. E há ainda os terminais privados, como a Portonave em Navegantes, que não estão em leilão algum, mas dependem do mesmo canal.

Itajaí vai receber navios de 400 metros?

Não no curto prazo, e não é isso que o projeto diz. Segundo o detalhamento enviado à ANTAQ, a primeira fase, entre o primeiro e o terceiro ano de contrato, mira navios da classe New Panamax, de até 366 metros. O calado de 16 metros e a adaptação para embarcações de até 400 metros aparecem só a partir do quarto ano. Como o contrato ainda não existe, esse relógio não começou a correr. Hoje o complexo está homologado para navios de até 350 metros de comprimento.

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