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Balneário Camboriú quer conceder a Passarela da Barra por 30 anos, e o motivo está nos cabos

A prefeitura abriu concorrência para conceder a passarela estaiada da Barra, com terreno e espelho d'água, por 30 anos. O estudo técnico da própria BC Investimentos diz que os estais estão há anos sem a devida manutenção e estima R$ 6,2 milhões para recuperá-los. Na prática, a outorga vai pagar a obra antes de virar receita.

20 de outubro de 2026 8 min de leitura
Passarela estaiada de pedestres sobre a foz de um rio ao entardecer, com cabos de aço em leque e barcos atracados nas margens

Imagem ilustrativa gerada por IA

A Passarela da Barra é um dos cartões-postais de Balneário Camboriú: a ponte estaiada de pedestres que atravessa a foz do Rio Camboriú e liga a Barra Sul ao Bairro da Barra. Em agosto, a prefeitura publicou no Portal Nacional de Contratações Públicas a Concorrência Eletrônica nº 002/2026, para conceder a passarela à iniciativa privada por 30 anos.

Lendo o edital e o estudo técnico que o acompanha, dá para entender que a concessão não é só um projeto de gastronomia e turismo. Ela é, antes de tudo, o jeito que o município encontrou de pagar uma manutenção estrutural urgente.

O que está sendo concedido

ObjetoPassarela Estaiada Manoel Fermino da Rocha, terreno adjacente e espelho d’água
Prazo30 anos, prorrogável por igual período
Área total3.409,37 m², com cerca de 2.100 m² exploráveis
Usos previstosalimentação, cultura e turismo, com restaurante e bar no projeto
Acesso públicoáreas de passagem livres e gratuitas, por obrigação
Outorga fixa anual mínimaR$ 378.000
Valor global mínimo (30 anos)R$ 11,34 milhões
Critériovence a maior outorga anual
Sessão8 de setembro de 2026

Fonte: Prefeitura de Balneário Camboriú, Concorrência Eletrônica nº 002/2026, edital, termo de referência e estudo técnico preliminar publicados no PNCP. Leis municipais nº 4.878/2024 e nº 5.065/2025.

A outorga mínima foi calculada pela Comissão Municipal de Valores: 2.100 m² a R$ 15 por metro quadrado ao mês.

O que o estudo técnico diz sobre os estais

O estudo técnico preliminar, que traz a identificação da BC Investimentos, responsável pela estruturação da concessão, é direto. Algumas frases, como estão no documento:

  • “O diagnóstico atual é de urgente manutenção e revitalização.”
  • Os estais, os cabos de sustentação, “se encontram há anos sem a devida manutenção”.
  • “A urgência decorre do risco e grau em componentes vitais.”
  • O ambiente costeiro, com maresia, é apontado como “o fator principal da rápida deterioração”.

O estudo estima em R$ 6.242.400,24 a intervenção nos estais, com base na média de orçamentos de empresas especializadas, além de R$ 1.113.663,41 por ano de manutenção. Cita também um laudo contratado pela Secretaria de Turismo com uma matriz de risco que deve orientar o cronograma.

⚠️ O que o documento não diz. O estudo fala em urgência e risco em componentes vitais, mas não determina interdição da passarela, que segue aberta ao público. A gente reproduz as frases como estão e não tira delas uma conclusão de segurança que o documento não tira. O laudo técnico completo não foi publicado junto com o edital.

A conta da concessão

Aqui está o que torna essa concessão diferente de um aluguel de espaço público comum.

Os investimentos obrigatórios na estrutura, incluindo a recuperação dos estais, são abatidos da outorga. E há carência de pagamento enquanto as obras estruturais acontecem. Depois da carência, segundo o estudo, a outorga passa a ser cobrada sobre 28 anos.

Fazendo a conta com o valor mínimo: R$ 6,24 milhões de recuperação dos estais equivalem a mais de 16 anos de outorga mínima de R$ 378 mil. Ou seja, se a proposta vencedora ficar perto do mínimo, boa parte do que a prefeitura receberia em dinheiro na primeira metade da concessão vira, na prática, manutenção da própria passarela.

O estudo também prevê risco compartilhado: se o custo da intervenção passar de R$ 6,24 milhões, a prefeitura pode autorizar reequilíbrio econômico-financeiro.

Isso não é crítica. É uma modelagem que transfere para um operador privado especializado uma manutenção que o município não vinha conseguindo fazer, e que poucas empresas no país sabem executar em estrutura estaiada. Mas é importante entender que o ganho da prefeitura, aqui, é a passarela recuperada e mantida, e não a outorga.

Onde o processo está

A sessão estava marcada para 8 de setembro de 2026. Em consulta ao PNCP em 20 de outubro, o processo não tinha resultado, ata ou contrato registrados. Uma reportagem anterior sobre o projeto falava em prazo de 20 anos; o edital vigente diz 30.

A leitura da Orla Prime

A Barra Sul e o Bairro da Barra são a frente mais valorizada de Balneário Camboriú, e o próprio estudo técnico diz que um dos objetivos é promover “a valorização do Bairro da Barra”. Uma passarela recuperada, com operação e manutenção garantidas por 30 anos, é um ativo para o entorno.

O ponto que merece atenção é o estado da estrutura até lá. O documento oficial fala em urgência. Enquanto não houver contrato assinado, a manutenção que o estudo considera urgente continua sem responsável definido.

O que a gente vai cobrar: o resultado da sessão de 8 de setembro e a proposta vencedora; a assinatura do contrato; o cronograma de recuperação dos estais; e a publicação do laudo técnico que embasou o diagnóstico.


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Perguntas frequentes

O que é a concessão da Passarela da Barra em Balneário Camboriú?

É a Concorrência Eletrônica nº 002/2026, que concede o uso oneroso da Passarela Estaiada Manoel Fermino da Rocha, com o terreno adjacente e o espelho d'água, para gestão, exploração, manutenção e operação por 30 anos, prorrogáveis por igual período. A área total é de 3.409,37 m², com cerca de 2.100 m² passíveis de exploração para atividades de alimentação, cultura e turismo. O acesso às áreas de passagem deve continuar livre e gratuito.

Quanto a prefeitura vai receber pela concessão da passarela?

A outorga fixa anual mínima foi fixada em R$ 378.000, calculada sobre 2.100 m² a R$ 15 por metro quadrado ao mês, o que dá um valor global mínimo de R$ 11,34 milhões em 30 anos. Vence quem oferecer a maior outorga anual. Os investimentos obrigatórios na estrutura, porém, são abatidos da outorga, e há carência de pagamento durante as obras.

Qual é a situação dos estais da Passarela da Barra?

O estudo técnico preliminar da concessão afirma que o diagnóstico atual é de urgente manutenção e revitalização, que os estais se encontram há anos sem a devida manutenção, e que a urgência decorre do risco e grau em componentes vitais. Estima em R$ 6.242.400,24 a intervenção nos estais, além de R$ 1.113.663,41 por ano de manutenção. O documento não determina interdição da estrutura.

Quem venceu a licitação da Passarela da Barra?

A sessão estava marcada para 8 de setembro de 2026. Em consulta ao Portal Nacional de Contratações Públicas em 20 de outubro, o processo não tinha resultado, ata ou contrato registrados.

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