Santa Catarina ocupa do 2º ao 5º lugar no m² mais caro do país, e o ritmo mudou
O FipeZAP de setembro coloca Balneário Camboriú, Itapema, Florianópolis e Itajaí logo atrás de Vitória. O dado mais interessante não é o ranking: em 12 meses, Balneário Camboriú e Itapema subiram menos que a média nacional, e Itapema fechou o segundo mês seguido sem alta. O litoral caro entrou em fase de patamar.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Índice FipeZAP de setembro de 2026, divulgado em 1º de outubro, confirmou o que já vinha se desenhando: Vitória segue na frente, e Santa Catarina ocupa do segundo ao quinto lugar entre as cidades com metro quadrado residencial mais caro do país.
Mas o ranking é a parte menos interessante do relatório.
O ranking de setembro
| Posição | Cidade | R$/m² | Setembro | Agosto | 12 meses |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Vitória (ES) | 15.905 | +1,63% | +1,31% | +11,93% |
| 2 | Balneário Camboriú (SC) | 15.369 | +0,17% | +0,31% | +3,38% |
| 3 | Itapema (SC) | 15.340 | -0,41% | -0,002% | +4,37% |
| 4 | Florianópolis (SC) | 13.607 | +0,56% | +0,52% | +8,31% |
| 5 | Itajaí (SC) | 13.453 | +0,74% | +0,40% | +5,25% |
| Índice FipeZAP (Brasil) | 10.015 | +0,58% | +0,53% | +5,51% |
Fonte: Índice FipeZAP, relatório de setembro de 2026. Preço médio pedido em anúncios de imóveis residenciais.
Balneário Camboriú voltou à frente de Itapema, por R$ 29 por metro quadrado. Em julho, a ordem era inversa. A diferença entre as duas é tão pequena que a troca de posição diz pouco. O que diz muito é a coluna da direita.
O que a coluna dos 12 meses mostra
Em 12 meses, o índice nacional subiu 5,51%. Nesse mesmo período:
- Balneário Camboriú subiu 3,38%, abaixo da média do país.
- Itapema subiu 4,37%, também abaixo.
- Itajaí subiu 5,25%, praticamente na média.
- Florianópolis subiu 8,31%, bem acima.
- Vitória subiu 11,93%, mais que o dobro da média.
Em julho, a distância entre Vitória e Itapema era de R$ 45 por metro quadrado. Em setembro, entre Vitória e Balneário Camboriú, é de R$ 536. Vitória está acelerando, e o litoral norte catarinense está andando de lado.
E Itapema, em particular, fechou dois meses seguidos sem alta: -0,002% em agosto e -0,41% em setembro.
Patamar não é queda
É importante ler esse número com cuidado, porque ele convida a uma manchete errada.
O metro quadrado de Itapema e Balneário Camboriú continua entre os três mais caros do Brasil, e no acumulado de 2026 ainda sobe: 3,23% em Itapema e 2,53% em Balneário Camboriú. O que mudou foi o ritmo. Depois de anos de alta forte, os dois mercados entraram numa fase de patamar, em que o preço pedido para de subir mais rápido que o resto do país.
Isso costuma acontecer quando o preço já incorporou boa parte do que a cidade oferece, e a próxima alta depende de fato novo: infraestrutura entregue, produto diferente, demanda nova. Enquanto isso, o mercado digere.
⚠️ Duas ressalvas de método. O FipeZAP mede preço pedido em anúncio, não preço de escritura. E mistura imóvel novo e usado. É um ótimo termômetro de tendência, mas não é o preço que você vai pagar num lançamento. Para lançamento, a régua é outra, e a gente publica no Índice Orla Prime, que mediu a mesma coisa por outro caminho.
Por que isso interessa a quem está comprando
Mercado em patamar é, em geral, o momento em que o comprador tem mais espaço para negociar do que tinha no pico de alta. O vendedor que precisava do preço de ontem continua pedindo, mas o mercado não acompanha no mesmo ritmo.
E vale também ao contrário: quem comprou em 2024 e 2025 esperando a mesma inclinação de antes deveria recalibrar a expectativa. O FipeZAP não é promessa de nada, e nós não publicamos projeção de valorização. O que ele mostra é o passado recente, e o passado recente é de estabilidade em patamar alto.
A leitura da Orla Prime
Santa Catarina tem quatro das cinco cidades mais caras do país. Isso é um fato sobre o tamanho da demanda que a região atraiu, e não muda de um mês para o outro.
O fato novo de setembro é outro: a região deixou de ser a que mais sobe. Quem lidera a alta agora é o Espírito Santo, com Vitória e Vila Velha acima de 11% no ano. O litoral norte catarinense está num momento em que o preço já é alto e o crescimento depende do que for entregue de infraestrutura, e não de mais um ano de embalo.
Para quem compra para usar, isso é uma boa notícia: menos pressa e mais margem de negociação. Para quem compra pensando só em revenda rápida, é um sinal para fazer a conta com mais calma.
Quer saber se o preço de um empreendimento específico está alinhado com o mercado da cidade dele? A Bússola Orla Prime é um diagnóstico gratuito.
Perguntas frequentes
Qual é a cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil em setembro de 2026?
Vitória, no Espírito Santo, com R$ 15.905 por metro quadrado no Índice FipeZAP de setembro de 2026. Em seguida vêm Balneário Camboriú (R$ 15.369), Itapema (R$ 15.340), Florianópolis (R$ 13.607) e Itajaí (R$ 13.453). Santa Catarina ocupa, portanto, do segundo ao quinto lugar.
Quanto o metro quadrado de Balneário Camboriú e Itapema subiu em 12 meses?
Pelo FipeZAP de setembro de 2026, Balneário Camboriú subiu 3,38% em 12 meses e Itapema, 4,37%. Os dois ficaram abaixo da média do índice nacional, que foi de 5,51%. Florianópolis subiu 8,31% e Vitória, 11,93%.
O preço dos imóveis em Itapema caiu?
No FipeZAP, Itapema registrou -0,41% em setembro e -0,002% em agosto, dois meses seguidos sem alta. No acumulado de 2026 o índice da cidade ainda sobe 3,23%. É o comportamento de um mercado em patamar, não de queda: a variação mensal ficou praticamente zerada depois de anos de alta forte.
O FipeZAP mede preço de venda real?
Não. O FipeZAP acompanha o preço pedido em anúncios de imóveis residenciais em 56 cidades. É um termômetro consistente de tendência, mas não é preço de escritura, e inclui imóveis usados, ao contrário do Índice Orla Prime, que mede apenas lançamentos não entregues.
A carta do litoral catarinense
Receba a Orla Prime, toda sexta
O litoral em números: câmbio, preço por cidade e lançamentos. Em 5 minutos.
Leia também
O dique de R$ 95 milhões que deve segurar a cheia do Rio Camboriú está com a licitação suspensa
O consórcio dos municípios da foz do Itajaí abriu em setembro a maior licitação da região no período: um parque inundável com dique de 1,6 km em Camboriú, para amortecer cheia e guardar água para o verão de Balneário Camboriú. Em 8 de outubro, a sessão foi suspensa para analisar impugnações, e mesmo depois dela a obra só começa com licença ambiental e aval da Caixa.
O TCE travou o terminal provisório de cruzeiros de Itajaí a um mês da temporada
Em 28 de setembro, o Tribunal de Contas do Estado proibiu a prefeitura de homologar a licitação de R$ 12,2 milhões da estrutura modular para passageiros de cruzeiro. A área técnica apontou projeto básico incompleto e cotações que variaram de R$ 9,9 milhões a R$ 22,5 milhões. A temporada começa no fim de outubro.
Balneário Camboriú quer conceder a Passarela da Barra por 30 anos, e o motivo está nos cabos
A prefeitura abriu concorrência para conceder a passarela estaiada da Barra, com terreno e espelho d'água, por 30 anos. O estudo técnico da própria BC Investimentos diz que os estais estão há anos sem a devida manutenção e estima R$ 6,2 milhões para recuperá-los. Na prática, a outorga vai pagar a obra antes de virar receita.