A Selic caiu cinco vezes seguidas, e o juro do financiamento imobiliário não saiu do lugar
Desde março, o Copom tirou 1,25 ponto da Selic, de 15% para 13,75%. No mesmo período, a taxa média do financiamento imobiliário da Caixa foi de 12,02% para 12,05% ao ano, pelos dados do próprio Banco Central. Por que uma coisa não puxa a outra, e o que isso muda na conta de quem compra.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Na reunião de setembro de 2026, o Copom cortou a Selic pela quinta vez seguida. A taxa básica de juros saiu de 14% para 13,75% ao ano.
O ciclo de cortes começou em março. Desde então, a Selic caiu 1,25 ponto. A pergunta natural de quem está pensando em comprar imóvel é se isso já chegou na parcela do financiamento.
Fomos olhar nos dados do próprio Banco Central. A resposta é: não chegou.
A Selic, reunião a reunião
| Data | Meta da Selic |
|---|---|
| Junho de 2025 | 15,00% |
| 19 de março de 2026 | 14,75% |
| 30 de abril de 2026 | 14,50% |
| 18 de junho de 2026 | 14,25% |
| 6 de agosto de 2026 | 14,00% |
| 17 de setembro de 2026 | 13,75% |
Fonte: Banco Central do Brasil, série histórica da meta da Selic. Datas de vigência.
O juro do financiamento imobiliário, banco a banco
O Banco Central publica todo mês a taxa média de juros que cada instituição cobrou nas operações contratadas, por modalidade. Usamos a mais comum no financiamento habitacional: financiamento imobiliário com taxas de mercado, pós-fixado referenciado em TR.
| Banco | Março de 2026 | Junho de 2026 | Setembro de 2026 |
|---|---|---|---|
| Caixa Econômica Federal | 12,02% | 12,05% | 12,05% |
| Itaú Unibanco | 12,16% | 11,98% | 12,14% |
| Bradesco | 12,23% | 10,82% | 12,24% |
| Santander | 12,20% | 12,67% | 12,31% |
| Banco do Brasil | 15,27% | 14,38% | 14,49% |
| Mediana das instituições | 11,98% | 11,51% | 12,05% |
Fonte: Banco Central do Brasil, taxas de juros por instituição financeira, taxa média ao ano das operações contratadas no mês. Não inclui seguros e tarifas, que entram no custo efetivo total.
A Selic caiu 1,25 ponto entre março e setembro. A taxa média da Caixa subiu 0,03 ponto no mesmo período. Itaú, Bradesco e Santander terminaram setembro praticamente onde estavam em março. O único que de fato baixou foi o Banco do Brasil, que partia de um patamar bem acima dos outros.
Por que uma coisa não puxa a outra
A Selic é a taxa de um dia. O financiamento imobiliário é um crédito de 20 a 35 anos. O banco precifica esse crédito olhando para o custo do dinheiro no longo prazo e para quanto custa captar o recurso, incluindo a poupança, que é a fonte tradicional do crédito habitacional.
Quando o corte da Selic já era esperado, ou quando o mercado não acredita que os juros longos vão cair na mesma proporção, a taxa do financiamento quase não se mexe. É o que os números de março a setembro mostram.
Isso não quer dizer que nunca vai cair. Quer dizer que o corte da Selic não é, sozinho, um bom motivo para esperar uma parcela de financiamento menor nos próximos meses.
O que isso muda na conta de quem compra
Duas coisas práticas.
Quem vai financiar com banco deve fazer a conta com a taxa de hoje, por volta de 12% ao ano nos grandes bancos, mais seguros e tarifas, e não com uma taxa imaginada de daqui a seis meses. A gente mostrou quanto um financiamento de 30 anos custa só em juros, e a ordem de grandeza continua a mesma.
Quem compra na planta direto com a incorporadora não paga juro de banco durante a obra. As parcelas são corrigidas pelo CUB, o índice de custo de construção que em Santa Catarina substitui o INCC usado em outras praças. O juro bancário só entra se, na entrega das chaves, o comprador decidir financiar o saldo, e aí vale a taxa daquele momento.
⚠️ Sobre os números. A taxa do Banco Central é a média das operações contratadas no mês em cada instituição, e não a taxa de balcão anunciada. Ela não inclui seguro e tarifas. Sua taxa individual depende de relacionamento, renda, prazo e valor de entrada.
A leitura da Orla Prime
O ciclo de queda da Selic é real e é uma boa notícia para a economia. Mas, até setembro, ele não chegou no crédito imobiliário, e quem está adiando uma decisão esperando a parcela do financiamento cair deveria olhar para esses números antes.
Para o comprador do litoral norte, onde a maior parte das vendas de lançamento é parcelada direto com a incorporadora, o juro do banco pesa menos na decisão do que parece. O que pesa durante a obra é o CUB e a capacidade de pagar a parcela até a chave.
O que a gente vai acompanhar: a reunião do Copom no início de novembro, e se a taxa média do financiamento imobiliário começa a reagir nos dados de outubro e novembro do Banco Central.
Quer comparar o custo de comprar na planta com o de financiar um imóvel pronto, com números do seu caso? A Bússola Orla Prime é um diagnóstico gratuito.
Perguntas frequentes
A Selic caiu em 2026?
Sim. Pelo Banco Central, a meta da Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, e caiu em cinco reuniões seguidas: 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14% em agosto e 13,75% em setembro de 2026. A próxima reunião do Copom está marcada para o início de novembro.
Os juros do financiamento imobiliário caíram com a Selic?
Não, até setembro. Pelos dados de taxas de juros por instituição do Banco Central, na modalidade de financiamento imobiliário com taxas de mercado pós-fixado em TR, a Caixa cobrou em média 12,02% ao ano em março e 12,05% em setembro de 2026. Itaú, Bradesco e Santander ficaram entre 12,14% e 12,31% em setembro. O Banco do Brasil foi exceção, caindo de 15,27% para 14,49%.
Por que o juro do financiamento imobiliário não acompanha a Selic?
Porque o financiamento imobiliário é um crédito de 20 a 35 anos, cujo custo depende mais da taxa de juros de longo prazo e do custo de captação dos bancos, inclusive da poupança, do que da Selic do momento. Um corte na Selic que o mercado já esperava, ou que não muda a expectativa de juros longos, quase não mexe na taxa do crédito imobiliário.
Comprar na planta depende dos juros do banco?
Durante a obra, não. Na compra na planta direto com a incorporadora, as parcelas são corrigidas por índice de custo de construção, que em Santa Catarina é o CUB, e não há juro bancário até a entrega. O juro do banco só entra se o comprador financiar o saldo na entrega das chaves.
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